“Música” nos dias atuais: “Na era do Rabo”

Lista de "sucessos" no aplicativo Spotify, em novembro de 2020, na cidade de Belo Horizonte.
Excesso de Gases

Estamos ficando mais rudimentares? Estamos regredindo intelectualmente? O que tem acontecido com a música atual?

Cada vez mais, de forma paradoxal (no momento em que temos mais liberdade de escolha), estamos inundados num poço lamacento e putrefato das piores épocas de criações musicais que tenho notícia: nunca fomos tão medíocres no que se diz respeito a música. Como resultado, nem mesmo na década  horrível e obscura de 1990, éramos tão ordinários. Basta observar a lista de músicas mais “viralizadas” em um mecanismo que nos dá toda a liberdade de ouvir o que queremos, como o Spotify. Por exemplo, basta dar uma navegada nas listas de mais tocadas atuais. É de cair o queixo a variedade de composições vagabundas e horrorosas que estão nas diversas listas que o próprio aplicativo sugere para seus ouvintes.

Fico pensando se realmente o tal algoritmo é realmente eficaz ou se somos nós mesmos que estamos falhando como espécie. Em outras palavras, o algoritmo é apenas o reflexo das porcarias que tem sido executadas nos streamings. Atualmente e ele nos dejeta o que estamos buscando. Ou seja, criamos uma bolha de fezes, fétidas e nauseabundas. Quase escatologicamente poéticas. Uma aberração e uma bizarrice sem tamanho.

Nas ondas da descarga

Atualmente, também tenho comparado o que tenho visto na outra “onda” do momento. O famigerado “TikTok” e suas dancinhas imbecis de 15 segundos. É verdade que eles contribuem para a porcaria que vem aparecendo na música. Sobretudo, são bilhões (sim, BILHÕES) de visualizações em vídeos completamente inúteis, onde não menos raro, as dancinhas são combinadas com a exibição frenética de um sem número de bundas. Bundas de todos os tipos. Num rebolar quase mecânico e conduzido por dois ou três neurônios. Em alguns casos chego a pensar que são como enguias elétricas fora da água, num último curto circuito entre o nervo e os dois ou três neurônios.

Isso tem me preocupado bastante. Além do que, tenho tido medo de onde estamos direcionando nosso caminho como humanidade. E, o pior, como pessoas que ouvem música. Ou que pelo menos se interessam por ela.

Enguias Elétricas

De acordo com discussões enormes na área da psicologia, em meio a inúmeras viagens conceituais (algumas vezes até compreensíveis) que duravam horas, o assunto geralmente se direcionava para o entendimento de que, por exemplo, quanto mais rudimentar é um ser vivo, menos exigente de estímulos ele necessitará ser para ser estimulado. É até relativamente fácil comprovar essa tese: basta colocar um som para um recém nascido (rudimentar no sentido de formação e desenvolvimento) e podemos observá-lo rapidamente respondendo a esses estímulos de forma “descoordenada”. Nesse sentido, para mim, é onde se encontra o ponto chave desse assunto que cismei de escrever agora. De certa forma, estamos reduzindo a nossa capacidade de desenvolvimento ao nos rebaixarmos tanto, escutando “obras” tão toscas e simplórias. Por analogia, estamos atrofiando nosso cérebro e, consequentemente, regredindo nossa curva de aprendizado. Afinal, um cérebro que não é estimulado não consegue se desenvolver.

Nas profundezas do esgoto

Voltando ao raciocínio anterior, em outras palavras, onde digo que não vejo boa coisa daqui pra frente, sinto um certo terror em pensar no que está por vir. Mais ou menos algo como: “Até quando desceremos nos esgotos escuros e fedorentos das “músicas” que hoje estão em evidência?”

Em conclusão, não vejo luz no fim do túnel!!! Veja por si próprio a lista das mais tocadas em Belo Horizonte neste link. Por outro lado, aproveitando a oportunidade, veja aqui uma de minhas músicas.

A saber:

Primeiramente: Não vou citar nomes de “artistas” que compõem essas porcarias atuais aqui no meu texto. Vai que algum algoritmo engraçadinho vem aqui e pesca esses pneus furados no fundo do córrego?

Posteriormente: Não preciso mencionar que “Sentada com a xeca de fora” ou  “De olho na vara do negão do metrô” tem sido os assuntos mais dançados (com os bracinhos) nas telas de 6 polegadas nos seus 15 segundos de “lama”.

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